view scope no JSF 2.0
Eu uso JSF há um bom tempo e sempre fui um defensor de que JSF é muito bom, mas hoje em dia ainda não da pra usar ele sozinho, por isso mesmo uso JSF + Facelets + Seam. Acredito que com o que temos hoje usar JSF sozinho não é lá das coisas mais produtivas do mundo, e isso em alguns casos faz com que pessoas critiquem o JSF porque não querem adicionar mais dependências ao projeto e deixam Facelets e Seam de fora.
Pessoalmente eu acho isso quase o mesmo nível de querer fazer um projeto sem Hibernate pra não ter mais dependências no projeto. Tá certo que hoje o caso é diferente pois temos a JPA, mas se não a tivéssemos ainda, você faria um projeto de verdade só com JDBC só pra não ter essa dependência com Hibernate? Pois bem, muita gente faz isso com JSF. Mas assim como a JPA veio para deixar as pessoas mais tranquilas e menos apavoradas de ter um framework a mais na aplicação, o JSF 2.0 também vai dar uma forcinha nesse sentido. Com ele poderemos ter uma aplicação funcionando super bem sem adicionar outros frameworks para isso. E isso devido duas coisas: a inclusão do Facelets (já apresentada aqui), e o novo escopo view.
Erros de validação
O JSF faz um papel muito bem feito abstraindo a camada web. Conseguimos desenvolver uma aplicação com JSF sem colocar a mão em HttpServletRequest e outros Http* da vida. O serviço seria muito bem feito de ponta a ponta se não fosse por um detalhe: a falta de um escopo que abstraísse também o http como o restante faz. Até o JSF 1.2 parece que essa parte foi esquecida, e enquanto o Faces tratava os escopos já conhecidos de toda aplicação web, como request, session e application, deixava uma porta aberta para o surgimento de componentes como t:saveState do Tomahawk, e depois as famosas conversations, no Seam.
Mas para que conversation e saveState servem? Um dos maiores problemas do JSF é a quantidade de “erro de validação” que acabam “estourando” na cara do desenvolvedor. Claro que sabendo como o JSF trabalha nós conseguimos desenvolver sem problemas. Eu sempre comento que a regra número 1 é sempre sobrescrever o método equals. Seguir boas práticas nunca é demais. E com isso boa parte dos erros de validação simplesmente somem. Um dia eu paro pra explicar melhor isso. Mas existem erros que acontecem como os famosos combos em cascata e commandButtons/commandLinks que não executam poque estão dentro de dataTable’s que só são preenchidas depois de alguma ação.
Imagine que temos uma página de cadastro de endereço, onde existem dois combos, o primeiro para estado e o segundo para cidades. Mas inicialmente o combo de cidades vem vazio, somente depois que selecionamos o primeiro, uma ação é executada para buscar as cidades. Selecionamos então “MS”, acontece uma nova requisição, as cidades são mostradas, selecionamos “Campo Grande” e mandamos salvar. Nisso vem o famoso erro de validação no combo das cidades. Isso acontece porque pela natureza stateless do managed bean de escopo request que estamos usando, o JSF esquece que já foi feita a requisição que busca as cidades, e para ele quando clicamos em salvar é como se fosse a primeira requisição. Então o JSF pensa: “como esse cara tá submetendo uma cidade sendo que eu nem mostrei os valores desse combo ainda? Essa cara tá me sacaneando, vou tesourar essa requisição dele”. Mas como fugir disso então? Coloca tudo no escopo de sessão? A resposta para esse problema é a utilização de escopos mais refinados, não disponíveis (ainda) no JSF padrão.
Contextos mais “espertos”
Na minha opinião, uma das melhores coisas do Seam é a conversação. Um conversação é um “escopo” maior que um request e menor que a sessão do usuário, e que tem um início e fim definidos por nós. Quando iniciamos uma conversação o contexto “vira” statefull até que seja finalizada, quando então “vira” stateless novamente. Claro que o Seam é muito mais que isso, mas para o assunto do post isso é o mais relevante. Fora Conversation, o Seam tem um escopo Page, cujo funcionamento é basicamente o mesmo do saveState. Dessa forma, o contexto é statefull enquanto submetemos para a mesma página. Uma conversação é algo mais refinado, que pode envolver várias telas, mas para a grande maioria dos casos essas várias requisições que precisamos manter o estado são feitas para mesma tela, como nos exemplos dos combos de estado e cidade e da dataTable resultando de filtro com uma action dentro.
View Scope
Exatamente nesse caso que o escopo view vem suprir essa carência do JSF padrão. Um managed bean com esse escopo permanece na memória enquanto submetemos para a mesma tela. Não quero dizer que você nunca mais vai precisar de outras coisas, ou que o Seam nada mais é do que fazer de outra forma o que um saveState já fazia antes, mas sim que agora para a maioria das aplicações já poderemos usar apenas JSF 2 sem ter que usar outras ferramentas para nos auxiliar. Claro que um conjunto de componentes ricos sempre será bem vindo, e que certamente iremos continuar querendo usar algumas coisas mais específicas que o Seam/WebBeans nos oferecem. Mas o grande ganho é que para o básico não precisamos de mais nada, coisa que infelizmente hoje, com JSF 1.2, ainda não acontece.
Como já escrevi bastante, vamos a um exemplo. O nosso managed bean de escopo view ficaria assim:
@ManagedBean(name="enderecoBean") @ViewScoped public class EnderecoBean { @PostContruct public void construct() { //chamado só quando o managed bean é colocado no escopo view, //e não a cada requisição como acontecia com o escopo request } @PreDestroy public void destroy() { //chamado quando outra view for chamada através do UIViewRoot.setViewId(String viewId) } }
Com esse escopo o JSF cria o managed bean na primeira requisição onde ele for preciso (se for lazy), e só o remove da memória quando for chamado o método UIViewRoot.setViewId(String viewId) para indicar que iremos trabalhar com outra página.