Será que o Java 7/8 faz falta mesmo?

Antes de mais nada sei que um ou outro pode querer me xingar sem nem ler o post. Esse post não serve para dizer que eu não quero que o Java evolua, que saiam novas versões, etc. Óbvio que isso é importante e por isso não vou nem discutir isso. Mas o ponto é: tem motivos para eu ficar choramingando lamentando a falta de recursos da linguagem, sem olhar para o que é mais importante, que é a plataforma? Ficar pensando porque essas mudanças nunca saem em vez de usar o que já temos hoje? A minha resposta pessoal é não, e o intuito deste post é explicar o porquê.

E porque eu coloquei Java 7 e 8 numa tacada só? Bom, talvez você não tenha acompanhado a novela da estratégia da Oracle para o Java 7. Resumindo, em vez de fazer um Java 7 pela metade “agora” ou um Java 7 completo para sabe-se lá quando, optou-se por fazer um “Java 7″ em duas fazes. Uma primeira que será o 7 e não vai ter muitas das coisas complicadas de implementar, e a segunda será o 8 e aí sim vai ter tudo que era esperado para o 7. Bem melhor do que demorar tudo que já demorou até hoje e ainda fazer “de qualquer jeito”.

Mas o artigo não é sobre Java 7/8 (vou tratar como uma única versão mesmo), e sim sobre a gente precisar ou não desesperadamente da nova versão da linguagem, e não das evoluções na plataforma. O que vou mostrar é que praticamente tudo que esperamos da próxima versão do Java (linguagem) já temos pronto em outras duas das principais linguagens para a JVM: Groovy e Scala.

Para esse artigo não ficar muito longo vou assumir que você está familiarizado com o fato da plataforma Java ser mais do que a linguagem Java. Mas já deixo na gaveta um post sobre a plataforma para deixar isso mais claro depois.

Além disso meu objetivo aqui não é escrever um post que explique em detalhes cada uma das funcionalidades citadas em cada uma das linguagens, e sim mostrar rapidamente cada coisa. Sendo assim reservo-me o direito de citar referências externas em vez de criar código de exemplo próprio :D



Geral

Para as próximas versões do Java existe o projeto Coin que reúne diversas melhorias para as próximas versões da linguagem. Algumas dessas mudanças estão contempladas nos tópicos abaixo.

Mas o fato é que o objetivo do Java não é ser uma linguagem como Groovy ou Ruby que tem diversas facilidades como elvis operator, safe navigation, reflection super facilitado, invocação do método equals usando == entre dezenas de outras coisas.

Talvez o mais parecido com Java seja Scala. Não em sintaxe, pois nesse quisito Groovy é quase igual Java. Agora o que Scala tem de mais parecido é o fato de ser estaticamente tipada, mas com um sintaxe simplificada, com alto poder inferência de tipos, sem ponto e vírgula obrigatório e que você na maioria das vezes nem percebe que não está usando uma linguagem dita mais “flexível” ou “dinâmica”.

Na minha opinião a maioria não quer especificar tipos, mas isso não quer dizer que necessariamente quer uma linguagem sem tipos. Nos artigos que escrevi de Scala dá pra ver bem dessas facilidades.



Closures

Um dos principais pontos, ou pelo menos o “mais famoso” ponto do Java 7 é o suporte à closures. Suporte que esse que durante a novela Java 7 já foi cortado, reintroduzido “nas coxas” e por fim vai estar completo no Java 8. Mas e se olharmos para Groovy e Scala? O suporte à closures está lá.

Java 8

Referência

#int() fortyTwo = #()(42);
#int(int) doubler = #(int x)(x + x);
#int(int,int) multiplier = #(int x, int y)(x * y);

assert fortyTwo() == 42;
assert doubler(fortyTwo()) == 84;
assert multiplier(3, fortyTwo()) == 126;

Update: o Paulo Silveira, há um bom tempo já, postou um material bem bacana em português sobre isso no blog da Caelum.

Groovy

Referência

def printSum = { a, b -> print a+b }
printSum( 5, 7 )                       //prints "12"

Referência

def c = { arg1, arg2-> println "${arg1} ${arg2}" }
def d = c.curry("foo")
d("bar")

Referência

def x = 2

// define closure and assign it to variable 'c'
def c = { numberToSquare -> numberToSquare * numberToSquare }

// using 'c' as the identifer for the closure, make a call on that closure
def y = c(x)       // shorthand form for applying closure, y will equal 4
def z = c.call(x)  // longhand form, z will equal 4

Scala

Esse código de exemplo eu postei aqui (to meio sem criatividade hoje :D). Nele temos um método chamado percorreLista e uma closure chamada imprimeElemento, que é passada como parâmetro para o primeiro.

object Main extends Application {
    def percorreLista[T](lista:List[T], funcao:(T) => Unit)= {
    for (elemento <- lista) {
      funcao(elemento)
    }
  }
 
  val imprimeElemento = (elemento: Any) => {
    println(elemento)
  }
 
  percorreLista(List(2,3,4,5), imprimeElemento)
}



Automatic Resource Management (ARM)

Uma coisa chata de fazer em Java é trabalhar com IO. Vamos pegar como exemplo…

Java 6

Referências um e dois

Aqui temos que tratar as possíveis exceções todas na mão.

Lendo um arquivo

try
{
    String teamMember;
    FileReader fr = new FileReader("arquivo.txt");
    BufferedReader br = new BufferedReader(fr);
    while ((teamMember = br.readLine()) != null)
    {
        System.out.println(teamMember);
    }
}
catch (FileNotFoundException e)
{
    e.printStackTrace();
}
catch (IOException e)
{
    e.printStackTrace();
}
finally
{
    if (br!= null)
    {
        br.close();
        if (fr != null)
        {
            fr.close();
        }
    }
}

Agora um código JDBC

String connectionURL = "jdbc:mysql://localhost:3306/myDB";
Connection connection = null;
Statement st = null;
ResultSet rs = null;
try
{
    connection = DriverManager.getConnection(connectionURL, "root", "admin");
    st = connection.createStatement();
    rs = st.executeQuery("Select * from EMPLOYEE_SALARIES");
    while (rs.next())
    {
        System.out.println("EMPLOYEE_NAME/EMPLOYEE_SALARY");
        System.out.println(rs.getString(1) + "/" + rs.getString(2));
    }
}
catch (ClassNotFoundException ex)
{
    ex.printStackTrace();
}
catch (SQLException ex)
{
    ex.printStackTrace();
}
catch (InstantiationException ex)
{
    ex.printStackTrace();
}
catch (IllegalAccessException ex)
{
    ex.printStackTrace();
}
finally
{
    try
    {
        if (!rs.isClosed())
        {
            rs.close();
        }
        if (!st.isClosed())
        {
            st.close();
        }
        if (!connection.isClosed())
        {
            connection.close();
        }
    }
    catch (SQLException ex)
    {
        ex.printStackTrace();
    }
}
Java 8

Com o ARM ficaria bem mais simples.

Lendo um arquivo

String teamMember = null;
try (BufferedReader br = new BufferedReader(new FileReader("arquivo.txt")))
{
    while ((teamMember = br.readLine()) != null)
    {
        System.out.println(teamMember);
    }
}

Código JDBC com ARM

String connectionURL = "jdbc:mysql://localhost:3306/myDB";
try
(
    Connection connection = DriverManager.getConnection(connectionURL, "root", "admin");
    Statement st = connection.createStatement();
    ResultSet rs = st.executeQuery("Select * from EMPLOYEE_SALARIES");
)
{
    while (rs.next())
    {
        System.out.println("EMPLOYEE_NAME/EMPLOYEE_SALARY");
        System.out.println(rs.getString(1) + "/" + rs.getString(2));
    }
}
Groovy

Em Groovy fazer isso é extremamente simples

Lendo um arquivo

Referência

println new File('arquivo.txt').text

Lendo uma tabela com Groovy

Referência

import groovy.sql.Sql
sql = Sql.newInstance("jdbc:jtds:sqlserver://serverName/dbName-CLASS;domain=domainName", "username",
                     "password", "net.sourceforge.jtds.jdbc.Driver")
sql.eachRow("select * from tableName", { println it.id + " -- ${it.firstName} --"} );
Scala

Referências um e dois

Em Scala também é simples.

def using[T <: { def close() }]
    (resource: T)
    (block: T => Unit) 
{
  try {
    block(resource)
  } finally {
    if (resource != null) resource.close()
  }
}

using(new BufferedReader(new FileReader("file.txt"))) { r =>
  var count = 0
  while (r.readLine != null) count += 1
  println(count)
}

Referência

val lines = for { file <- managed(new java.io.File("some.txt"))
       stream <- new java.io.FileInputStream(file)
       line <- makeLineIterator(stream) } yield line



Switch com String?

Sinceramente eu acho essa parte até meio brincadeira, pois é muito barulho para uma funcionalidade muito simples. Essa mudança faz parte do projeto Coin.

Java 7

A funcionalidade é simples, a única diferença é que agora suporta String.

Groovy

O suporte do Groovy é bem mais rico que o suporte à Strings. Claro que pode ser mais complicado num primeiro momento, cheio de possibilidades, mas para mim é só um comportamento mais completo, com tudo que se espera.

Referência

def x = 1.23
def result = ""

switch ( x ) {
    case "foo":
        result = "found foo"
        // lets fall through

    case "bar":
        result += "bar"

    case [4, 5, 6, 'inList']:
        result = "list"
        break

    case 12..30:
        result = "range"
        break

    case Integer:
        result = "integer"
        break

    case Number:
        result = "number"
        break

    default:
        result = "default"
}

assert result == "number"

E podemos ainda sobrescrever o método isCase(valor), que por default chama equals(valor)

class Estado{
    String uf
    def isCase(valor){
        uf == valor
    }
}

def estado = new Estado(uf: "MS")

switch ( estado ) {
    case "MS":
        println "Mato Grosso do Sul"
        break

    case "SP":
        println "São Paulo"
        break

    default:
        println "Sei lá..."
}


Scala

Scala assim como Groovy tem um mecanismo bem interessante que pode ser usado num switch, o Pattern Matching. Como isso vale um artigo a parte, recomendo a leitura desse post. Mas para exemplificar vou colocar um exemplo:

def checkPrime(number:Int) = number match {
  case 1 => true
  case 2 => true
  case 3 => true
  case 5 => true
  case 7 => true
 
  case _ => false
}

Comparando pelo tipo

var obj = performOperation()
var cast:Color = obj match {
  case x:Color => x
  case _ => null
}

Em Java o equivalente seria

Object obj = performOperation();
Color cast = null;
if (obj instanceof Color) {
    cast = (Color) obj;
}

E em Scala temos ainda as case classes, que são tipos especiais de classes, que dentro outras coisas não precisamos de new para instanciá-las e podem ser usadas direto com pattern matching.

Referência

case class Number(value:Int)
 
def checkPrime(n:Number) = n match {
  case Number(1) => true
  case Number(2) => true
  case Number(3) => true
  case Number(5) => true
  case Number(7) => true
  case Number(_) => false
}
 
checkPrime(Number(12))

Outro exemplo

class Color(val red:Int, val green:Int, val blue:Int)
 
case class Red(r:Int) extends Color(r, 0, 0)
case class Green(g:Int) extends Color(0, g, 0)
case class Blue(b:Int) extends Color(0, 0, b)
 
def printColor(c:Color) = c match {
  case Red(v) => println("Red: " + v)
  case Green(v) => println("Green: " + v)
  case Blue(v) => println("Blue: " + v)
 
  case col:Color => {
    print("R: " + col.red + ", ")
    print("G: " + col.green + ", ")
    println("B: " + col.blue)
  }
 
  case null => println("Invalid color")
}
 
printColor(Red(100))
printColor(Blue(220))
 
printColor(new Color(100, 200, 50))
printColor(null)

Saída

Red: 100
Blue: 220
R: 100, G: 200, B: 50
Invalid color



Properties

Suporte à properties é bem esperado mas já foi praticamente “limado” da lista de features que vão entrar nas próximas versões de Java. Na verdade o suporte à properties é mais do que vamos ver aqui. Um suporte completo permitiria a gente ter type safe criteria na JPA2 sem necessidade de geração de código. Mas com certeza esse suportezinho simples, à la Groovy, já ajuda bastante.

Java

Sem suporte. Getters and Setters

public class Pessoa{
  private String nome;
  private String endereco;
  private String nome;

  //getters e setterss gerados pela IDE. 
  //Vocês já devem estar enjoados de ver, então vou economizar espaço e nem colocar esse código aqui
Groovy

Em Groovy fazer isso é extremamente simples. O compilador gera altomaticamente os getters e setters para atributos não privados. Depois de compilado fica igualzinho um “bean” java, atributos privados e métodos de acesso públicos.

class Pessoa{
  String nome
  String endereco

  //para essa propriedade não teremos getters e setters gerados
  private Integer idade

  //aqui fica igual os getters e setters gerados para nome e endereco. 
  //Só lembrando que a tipagem em groovy é opcional
  def Integer getIdade(){ idade }
  def void setIdade(Integer idade){ this.idade = idade }
}
Scala

Em Scala também é simples.

class Pessoa(var nome:String, 
             var localidade:String, 
             private var _idade:Int) {
  //assim como no exemplo em Groovy, quando marcamos um atributo como privado os métodos de acesso não são gerados
  def idade = _idade
  def idade_=(idade:Int) = _idade = idade
}

val pessoa = new Pessoa("Gilliard", "Campo Grande/MS", 26)
pessoa.nome = "Gilliard Cordeiro"
pessoa.idade = 27
println( pessoa.localidade )



Performance

Tem mais um monte de coisas que eu poderia comentar mas essas são as primeiras que me ocorreram. Mas para finalizar, pelo menos por enquanto, vamos falar de performance.

Não encontrei nenhum benchmark atualizado para linkar aqui, mas no geral Java e Scala estão bem próximos em performance, com mais vantagem para o Java e em alguns casos Scala na frente. Já o Groovy é meio patinho feio nessa comparação entre as três linguagens, mas ainda assim – com base em benchmarks um pouco antigos – ele ainda é mais performático que PHP por exemplo. E eu nunca ouvi ninguém dizer que deixaria de usar PHP por causa de performance, mas quando se fala de Groovy esse assunto sempre surge.

Sobre Java e Scala nem vale muito a pena falar, mas os benchmarks envolvendo Groovy tem que ser encarados com cautela. Primeiro porque se o benchmark for meio antigo é bem possível que de lá pra cá a performance já melhorou bastante. Até porque quanto mais lento, mais espaço para melhorar um ambiente de execução tem. O segundo ponto é que em todos os comparativos sempre vejo código 100% linguagem A contra código 100% linguagem B. Já na prática dificilmente a gente vai ter uma aplicação com código 100% Groovy. Vamos pegar como exemplo uma aplicação feita em Grails. Minha bola de cristal diz que no total de código da aplicação (bibliotecas incluídas) nem 30% é Groovy.

Para complicar ainda mais a conta, você já viu o tamanho da StackTrace quando executamos nosso código num servidor de aplicações? O tanto de AOP, interceptors e outros serviços rodando ao mesmo tempo com certeza vai levar mais tempo do que a diferença entre a execução de duas linguagens diferentes. Por fim a maioria dos problemas de performance não é culpa do que se usa, e sim de como se usa uma ferramenta.

Update: Só mais uma “coisinha” sobre performance do Groovy. Existe também o Groovy++, que compila estaticamente partes do código Groovy (depende do que você anotar com @Typed) aumentando assim a performance consideravelmente pelo que li, mas não conheço na prática. Quando eu já tiver mexido com isso eu posto, mas até lá vocês podem ver alguma coisa aqui, aqui e aqui.



(Minha) Conclusão

Terminado então esse post, acho que ficou claro que, pelo menos para mim, sentimos falta de um ou outro recurso da linguagem mas, ou praticamente não vamos usar a função quando ela sair (pois não faz falta de verdade hoje), ou não conhecemos as outras opções que a plataforma, e não a linguagem Java nos dá. Pois se conhecermos as opções e realmente quisermos usar essas funcionalidades, não faz muito sentido não usar o que se tem.

11 thoughts on “Será que o Java 7/8 faz falta mesmo?

  1. Ótimo Post!

    É importante sempre salientar a importância de Java como plataforma para que os desenvolvedores possam fazer uso eficiente do enorme ecossistema Java com outras plataformas também muito ricas como Ruby, Python, PHP etc. Hoje isso alem de possível é bastante viável mostrando que implementações de linguagens como Ruby e PHP rodando na JVM tem performance semelhante e as vezes ate superior aos seus ambientes nativos!

  2. Valeu @Saulo Arruda !
    Com certeza temos mesmo que evidenciar essa diferença entre linguagem e plataforma e as inúmeras possibilidades que o ecossistema Java oferece: Ruby, Groovy, Scala e tantas outras linguagens e bibliotecas/frameworks.

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  5. Realmente aproveitar o potencial das outras linguagens é muito importante.
    Mas é importante falar que uma das novidades que se prometem no java é Da Vinci Machine Project que visa trazer ainda mais linguagens para dentro da jvm.
    Acredito que no futuro o importante será um desenvolvedor poliglota.

  6. @Otavio Santana
    Com certeza, a Da Vinci Machine será uma coisa muito boa. Não comentei nada dela nesse post porque o foco foi falar de funcionalidades de linguagens, e não de infraestrutura. Mas falei disso quando palestrei sobre Grails. Está ali, entre os slides :)
    De qualquer jeito foi bom você comentar disso aqui pois fica “linkado” e registrado que isso vai contribuir ainda mais para, quem sabe no futuro, o povo começar a usar mais linguagens em cima da JVM.
    Valeu Otávio.

  7. Oi Gilliard

    Incrivelmente só estou lendo esse post hoje. Parabéns pelos detalhes e argumentação. Já é hora de não terem mais esse medo com a linguagem. A espera pelo Java 7 e 8 não deve ser o único motivador pela escolha do Java… vai demorar *bastante* para as closures chegarem, por exemplo.

    abraços para todos aí

  8. Oi @Paulo Silveira,

    Valeu pelo comentário. Só demorei pra responder porque estou de férias… vende e-mail quase nunca… aí já viu né hehehe. Inclusive coloquei um link pro teu post de closures do Java 8. Muito legal.

    abraços

  9. Pingback: Groovy e outras linguages da JVM, preciso disso? - Gilliard Cordeiro

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